Noir é meu gênero preferido, Orson Welles é um dos monstros sagrados do cinema, e sou louco por plano-sequência. Daí que a famosa abertura de “A Marca da Maldade”, de 1958, não podia ficar fora desta antologia. Três minutos e meio, uma câmera rodando sem cortes, um grua acrobática, uma apoteose de planos indo desde o super-close-up até o plano geral e voltando ao close, dezenas de figurantes e veículos num balé sincronizado, Charlton Heston… E a cena não é gratuita, apresenta suficientemente os dois protagonistas e o ambiente, que é quase um terceiro protagonista.
Se fizermos uma tosca analogia entre cinema e futebol, o plano-sequência é a “pedalada” do diretor de cinema, a “bicicleta”, o “chapéu”. E essa abertura dirigida por Welles é um gol de placa.