
Assim, fora do contexto, a canção não impressiona muito. Mas dentro do filme ela é um toque de atrevimento que mostra a diferença entre um diretor apenas bom e um diretor genial.
A ação plurifocalizada deste filme coral vai envolvendo o espectador numa espiral emocional crescente e, no ponto exato onde a tensão atinge o ápice, a canção pega a audiência sensibilizada e despreparada.
É meu exemplo preferido de “timing” na montagem cinematográfica, uma demonstração de como o trabalho de direção pode ser hábil para manobrar a emoção da audiência e produzir sentidos.